Vale a pena pensar nisto...é impressionante!
Portugal Está a Atravessar a Pior
Crise - Eça Queirós
"- Citador"
"Que fazer? Que esperar? Portugal tem
atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de
valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro
também..."
"Nós Estamos num Estado Comparável à Grécia
Nós estamos num estado comparável,
correlativo à Grécia: mesma pobreza, mesma indignidade política, mesmo
abaixamento dos caracteres, mesma ladroagem pública, mesma agiotagem, mesma
decadência de espírito, mesma administração grotesca de desleixo e de confusão.
Nos livros estrangeiros, nas revistas, quando se quer falar de um país católico
e que pela sua decadência progressiva poderá vir a ser riscado do mapa ?
citam-se ao par a Grécia e Portugal. Somente nós não temos como a Grécia uma
história gloriosa, a honra de ter criado uma religião, uma literatura de modelo
universal e o museu humano da beleza da arte.
Eça de Queirós, in 'Farpas
(1872)'"
Eça de Queiroz, 1867, in “O distrito de Évora”
“ORDINARIAMENTE todos os ministros são
inteligentes, escrevem bem, discursam com cortesia e pura dicção, vão a
faustosas inaugurações e são excelentes convivas. Porém, são nulos a resolver
crises. Não têm a austeridade, nem a concepção nem o instinto político, nem a
experiência que faz o ESTADISTA. É assim que há muito tempo em Portugal são
regidos os destinos políticos. Política de acaso, política de compadrio,
política de expediente. País governado ao acaso, governado por vaidades e por
interesses, por especulação e por corrupção, por privilégio e influência de
camarilha, será possível conservar a sua independência?”
Política de Interesse
Em Portugal não há ciência de governar nem há ciência de
organizar oposição. Falta igualmente a aptidão, e o engenho, e o bom senso, e a
moralidade, nestes dois factos que constituem o movimento político das nações.
A ciência de governar é neste país uma habilidade, uma rotina de acaso,
diversamente influenciada pela paixão, pela inveja, pela intriga, pela vaidade,
pela frivolidade e pelo interesse.
A política é uma arma, em todos os pontos
revolta pelas vontades contraditórias; ali dominam as más paixões; ali luta-se
pela avidez do ganho ou pelo gozo da vaidade; ali há a postergação dos
princípios e o desprezo dos sentimentos; ali há a abdicação de tudo o que o
homem tem na alma de nobre, de generoso, de grande, de racional e de justo; em
volta daquela arena enxameiam os aventureiros inteligentes, os grandes vaidosos,
os especuladores ásperos; há a tristeza e a miséria; dentro há a corrupção, o
patrono, o privilégio. A refrega é dura; combate-se, atraiçoa-se, brada-se,
foge-se, destrói-se, corrompe-se. Todos os desperdícios, todas as violências,
todas as indignidades se entrechocam ali com dor e com raiva.
À escalada
sobem todos os homens inteligentes, nervosos, ambiciosos (...) todos querem
penetrar na arena, ambiciosos dos espectáculos cortesãos, ávidos de consideração
e de dinheiro, insaciáveis dos gozos da vaidade.
Eça de Queiroz, in
'Distrito de Évora (1867)