
Quando Está Frio no Tempo do Frio
Quando está frio no tempo do frio, para mim é como se estivesse agradável,
Porque para o meu ser adequado à existência das cousas
O natural é o agradável só por ser natural.
Aceito as dificuldades da vida porque são o destino,
Como aceito o frio excessivo no alto do inverno -
Calmamente, sem me queixar, como quem meramente aceita,
E encontra uma alegria no facto de aceitar -
No facto sublimemente científico e difícil de aceitar o natural inevitável.
Que são para mim as doenças que tenho e o mal que me acontece
Senão o inverno da minha pessoa e da minha vida?
O inverno irregular, cujas leis de aparecimento desconheço,
Mas que existe para mim em virtude da mesma fatalidade sublime,
Da mesma inevitável exterioridade a mim,
Que o calor da terra no alto do verão
E o frio da terra no cimo do inverno.
Aceito por personalidade.
Nasci sujeito como os outros a erros e a defeitos,
Mas nunca ao erro de querer compreender demais,
Nunca ao erro de querer compreender só com a inteligência,
Nunca ao defeito de exigir do mundo
Que fosse qualquer cousa que não fosse o mundo.
Alberto Caeiro, in "Poemas Inconjuntos"
Heterónimo de Fernando Pessoa
7 comentários:
Olá Isabel,
Alberto Caeiro é o meu heterónimo de Fernando Pessoa favorito e este poema e um encanto. Já sentia falta destes pequenos momentos de cultura...
Beijinhos para si e bom fim de semana,
Lia.
Beijinhos Lia e um bom fim de semana para ti também.
Isabel Alves
Olá!
Que bem me souber este bocadinho a ler A. Caeiro...
Espero que este novo ano seja um ano muito feliz e que concretizes todos os teus desejos***jokas*****
cat
Gosto muito desse poema, do Caeiro, o heterônimo "racional" do Pessoa.
Bel, antes que saia de fim de semana:
Fiz um post digno do Galeria. Você pode ir aos outros Blogs depois, mas primeiro vá ao Galeria. Não vai arrepender-se.
Um beijo,
Renata
Posso "roubar" o seu anjo?
Obrigada VerdeBlue pelas tuas palavrinhas.
Jocas
Isabel Alves
Renatita,claro que podes levar o anjo, eu ofereço-te.
Jocas
Isabel Alves
Reli e pronto, para Fernando Pessoa há sempre um bocadinho, não é? ;)
Jokas***
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