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segunda-feira, 1 de junho de 2009

A todas as crianças


(imagem tirada da net)

É lindo o que Eugénio de Andrade escreveu sobre as crianças...

Em Louvor das Crianças
Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso. A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue. O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.


Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'


Mais um lindo poema de Florbela Espanca...


Pequenina
És pequenina e ris ...
A boca breve
É um pequeno idílio cor-de-rosa ...
Haste de lírio frágil e mimosa!
Cofre de beijos feito sonho e neve!

Doce quimera que a nossa alma deve
Ao Céu que assim te faz tão graciosa!
Que nesta vida amarga e tormentosa
Te fez nascer como um perfume leve!

O ver o teu olhar faz bem à gente ...
E cheira e sabe, a nossa boca, a flores
Quando o teu nome diz, suavemente ...
Pequenina que a Mãe de Deus sonhou,
Que ela afaste de ti aquelas dores
Que fizeram de mim isto que sou!

Florbela Espanca, in "Livro de Mágoas"

4 comentários:

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

O poema da Florbela, que se não me engano ela fez para a filha de uma amiga ou parente, eu já conhecia, mas não conhecia o de Eugénio de Andrade. O seu post é muito lindo.
Bel, querida, venho convidá-la a apreciar o meu post no GALERIA sobre um filme acerca dos Borgia. O post tem pouco texto. Além do filme, só o meu poema. O restante são imagens.
Conto com você.
Um abraço,
Renata
PS: Não tenha preguiça e vá, minha amiga!

Tintas linhas e manias disse...

Obrigada Renata, beijinhos
Isabel Alves

Renata Maria Parreira Cordeiro disse...

Bel querida, o meu post? Assim, não posso comentar.
Querida:
Vim dizer-lhe que tenho um novo Blog, que se chama TUDO.
http://blogrenatatudo.blogspot.com
Visite-me, pois lá publico de tudo um pouco, o Blog não tem uma linha fixa, como resenha de fimes, poemas.
PS: A tempo. O Galeria está concorrendo ao TOP BLOG 30, na categoria cultura. Basta ir no Galeria, clicar onde está escrito "vote neste site" e escrever as letras que aparecem. Já votou.
Beijos,
Renata

rosa dourada/ondina azul disse...

As crianças...
O melhor que o mundo tem:)))


Beijo com carinho,