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terça-feira, 25 de agosto de 2009













Teus olhos entristecem

Teus olhos entristecem
Nem ouves o que digo.
Dormem, sonham esquecem...
Não me ouves, e prossigo.

Digo o que já, de triste,
Te disse tanta vez...
Creio que nunca o ouviste
De tão tua que és.

Olhas-me de repente
De um distante impreciso
Com um olhar ausente.
Começas um sorriso.
Continuo a falar.
Continuas ouvindo
O que estás a pensar,
Já quase não sorrindo.

Até que neste ocioso
Sumir da tarde fútil,
Se esfolha silencioso
O teu sorriso inútil.

Fernando Pessoa, in "Cancioneiro"

2 comentários:

Cor de Mel disse...

Olá Isabel,
Sempre a deliciar-nos com momentos de beleza, poesia e muito, muito bom gosto!!!
Beijinhos grandes para si,
Lia.

Tintas linhas e manias disse...

Beijinhos para ti também Lia, volta sempre.
Isabel Alves